sábado, 20 de novembro de 2010

Mateo López


O artista Mateo López (Colômbia, 1978) em sua obra se utiliza dos códigos da arquitetura e do desenho industrial e faz deles instrumentos de apontamento sobre a passagem do tempo e a formulação de ideias.
Assim, em sua obra o artista realiza desenhos e instalações para descrever as viagens pessoais e cria situações de estúdio como em que a produção e exibição dos trabalhos se sobrepõem.
Um belo exemplo é a obra Diários de motocicleta (2007), no qual o artista fez anotações de todo um percurso por alguns lugares da Colômbia sendo uma espécie de diário de bordo, onde aparece um mapa, máquina fotográfica, materiais de desenho dentre outros.
A impressão que dá é que o artista demonstra o domínio do espaço ao mesmo tempo que é capturado por este em forma de maquete. O espectador percebe elementos que compõe um roteiro traçado que pode significar o avanço humano em diversos espaços geográficos.

Luiz Zerbini


Luiz Pierre Zerbini (São Paulo, 1959) é um artista multimídia. Além da pintura, também tem trabalhos com fotografia e teatro, quando no início da década de 1980 trabalhou como cenógrafo da trupe carioca de teatro “Asdrúbal Trouxe o Trombone”.
Antigo surfista, o artista tem interesse diferenciado pela natureza, sua vitalidade e potência, sua exuberâcia e detalhes mais discretos.
Na obra Eu, paisagem (1998) percebemos que há uma fusão da paisagem com o artista, numa construção única. O espectador é convidado a se misturar à paisagem também com a inserção de objetos cotidianos, que se configuram em extensões de si e dos outros.
A reflexão que se podemos fazer é a de que uma paisagem pode trazer a percepção de si e do outro, além da relação que estabelecemos com o mundo que nos rodeia.

Lygia Pape

Lygia Pape (Rio de Janeiro, 1927-2004), foi uma gravadora, escultora, pintora, professora e artista multimídia brasileira. Importante representante da arte contemporânea no Brasil, Lygia possui uma trajetória artística que se inicia com o abstracionismo geométrico, no entanto é identificada com o movimento conhecido por neoconcretismo.
Percebemos que em sua obra a artista privilegia a participação do espectador na obra, sendo peça fundamental nesse processo.
Na obra Divisor (1968), a artista confeccionou um enorme tecido branco, na qual as pessoas podiam passar suas cabeças, passando de indivíduos para serem vistos como um grande massa, que agora trabalha em conjunto. Vemos, assim, que é possível um projeto de arte coletivo além da interação entre espectador e obra.

Isa Genzken


Isa Genzken (Alemanha,1948), é uma artista contemporânea que vive e trabalha em Berlim. Embora o foco principal Isa Genzken seja a escultura, ela usa vários meios, incluindo fotografia, cinema, vídeo, obras sobre papel e tela, colagens e livros.
Sua prática diversificada baseia-se no legado do construtivismo e minimalismo e muitas vezes envolve um diálogo crítico, aberto com a arquitetura modernista e da cultura visual e material contemporânea.
A artista utiliza como matéria-prima materiais considerados sucata e já sem função, como na obra Discoteca Soon (2008), onde esses materiais são agrupados e pintados, dando origem a novas construções que agregam elementos de diferentes origens, resultando em esculturas fascinantes, que reinventam formas únicas de ver e construir o mundo.

29o Bienal de Arte de São Paulo

Inicio a série de textos com a análise de cinco artistas participantes da Bienal de Artes de São Paulo.


Cildo Meireles

Nascido no Rio de Janeiro em 1948, Cildo Meireles tem uma produção que incorpora reflexões sobre a circulação de informações na sociedade, sempre com a temática das relações de poder.
Iniciou sua atuação durante o regime militar (1964-1985), quando a censura impedia a liberdade de expressão. O artista criou uma maneira alternativa para falar, inscrevendo proposições políticas em objetos e práticas cotidianos. Exemplo disso é a série Inserções em circuitos ideológicos (1970), onde o artista escreve frases de protesto em objetos, como uma garrafa de coca-cola com o objetivo de devolvê-la à circulação, o que evidencia o objeto como mobilizador social.
Na obra Homeless Home (2003), o artista nos leva a pensar na relação entre espaço público e espaço privado. Podemos refletir, também, como a mudança no espaço pode interferir nas atividades que realizamos e como criar novas relações dentro de um mesmo espaço.